—Gabito Nunes
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* Recesso.
* Se tudo que eu falo pra ti são espinhos e o que faço pra ti são lanças, vejo em tuas feridas pontos finais. Sinais pra não falar ou fazer mais. Por isso o ponto.
* Se anulam prós e contras. O saldo é zero. O começo e o fim se aproximam, se unem e se beijam, como num filme.
* Ao fundo, as cidades.
(Source: grifeinumlivro, via blackout-me)
Hard, but easy.
Passou. Como nunca imaginei que iria passar. Foi. Mudou-se. Moveu-se. Inverteu-se. Sem ressentimentos, ficou. Morreu. Demorou. Mas não existe mais. Com falácias fantasiosas, deixou de ser no passado e veio a não-ser no presente. Calculei errado os dias, adicionei quando no caso era uma subtração. Desapareceu. Correu entre os dias e ficou. Me julgava uma menina. Mas estou com características de uma mulher.
(Larissa Barros)

Não sei porque eu ainda insisto em você. Na verdade eu não insisto nada, quem insiste é minha cabeça, que projeta tu em todo lugar vazio que eu olho. As vezes me pego perguntando se é a mente ou o coração. É tentando esclarecer esta e outras muitas dúvidas que perco o controle sobre mim. Me torra os neurônios. As vezes eu chego o mais próximo do possível da certeza de que o que eu sinto já virou platônico. É lindo, doce, profundo, verdadeiro e… Eterno. É. E eu não peço nada em troca, mas você me da um singelo sorriso, o que me deixa feliz. Não sei bem o que é, mas tem algo único em cada centímetro dele. Com neurônios torrados, me vem a mente de que tudo o que eu faço por você significa, na verdade, nada. É que essas palavas que eu despejo aqui acabam por dizer tantas coisas, que as minhas ações acabam por se tornarem sem importância, nessa barulhenta gritaria de palavras que a gente faz, mesmo quando estamos distantes um do outro. Mas saiba, que não existe nada que possa tirar você de mim.
Veio. Voltou e trouxe contigo tudo o que era necessário para preencher o vazio que me corroía, dia a dia. O mesmo vazio que outrora me tomava quase por inteira e que, de repente cessou. Cessou, mas não sei quanto isso vai durar. Não sei por quanto tempo ainda vou me sentir “completa”, sem a sensação de ter um pedaço faltando dentro de mim. Não sei até quando e tenho medo de saber.
Era ausência o que eu tinha. É ausência o TEU nome. E mesmo assim, és presença. E continua sendo.
E talvez agora, eu tenha descoberto o que me faltava. Mas eu sei que tu voltou e talvez, não demore a ir embora. Eu só não queria que fosse assim. Eu só não queria dizer adeus. Eu nunca quis.
Me faltava presença. Me faltava você. E ainda falta.
Não, eu não quero lembrar…
* Tentei entender. Passei algum tempo na verdade tentando entender. Não consegui, foi inútil tentar transparecer todos os minutos que passei ao seu lado atrás de uma explicação. Desisti de respostas. Mas interminantemente eu me pego com lembranças - daquele show - dos nossos feitos. É uma sensação de aprisionamento que me faz ter mudanças de humor não requisitadas. Não quero saber o motivo dos teus feitos no tempo em que tudo poderia ter sido levado adiante com mais intensidade. Não quero saber a razão pra tu teres corrido drasticamente ao lado contrário da estrada que não tinha volta. E ela realmente não tem volta. Eu estou emanando uma felicidade que não cabe mais em mim. Estou pleno e satisfeito com os meus dias, as minhas pessoas, e o meu engrandecimento. Mas não me basta seguir adiante, quando algo ainda me prende ao passado. Sei que um pedaço do eu sou hoje vem devido ao que tu me mostrou - ou tentou me mostrar da forma mais perturbante e enlouquecedora. E dias PERTURBANTES me vêm a mente quando lembro de ti, quando lembro do teu sorriso, e o olhar que sempre me parecia sincero.
* Não quero uma volta, não quero uma segunda chance pra ti. Volto a repetir, estou satisfeito com o que criei. Mas acho que é o sentimento que grita no tom mais alto, tão perto de meus ouvidos, que insiste em dizer que te tenho em POSSE dentro de mim. O sentimento exacerbado de posse. Doentio por não te querer da forma mais auto-destrutiva, e ao mesmo tempo ter o jeito singular, tão assimétrico e por vezes tão perfeito, que só você consegue ter. É loucura demais. É vida demais, é informação demais. E talvez eu esteja um pouco alto, dizendo palavras que deveriam continuar acorrentadas por mim mesmo. Não preciso que respondas, não preciso de nenhum sequer ponto vindo de você, de ABSOLUTAMENTE NADA que me faça repensar sobre as coisas que possuo no momento esplendoroso em que vivo. Nada que me faça querer voltar atrás, viver um turbilhão de emoções, e logo em seguida me questionar POR QUÊ?! Essa palavra não cabe mais em mim. Mesmo assim, fico feliz quando me pego com imagens em perfeita sintonia do seu rosto, em minha mente.
* Que minhas cicatrizes se fechem, que eu ensurdeça quem estiver ao meu lado com os meus gritos histéricos de uma talvez, felicidade. E que o nosso destino fique ao léu, perdido por entre os anos. E se tiver que voltar, talvez eu não hesite…

(Source: jullianaturner)
(Des)atenção, (des)apego
O silêncio me faz, mais uma vez, prisioneira de mim, dos meus fantasmas, das minhas assombrações. E não importa o quanto eu force minha garganta e tente gritar, minha voz não sai, e ninguém vai me ouvir. Não terei ajuda por mais que peça. Meu pés não se movem, por mais que eu tente sair do lugar. Não há para onde correr, e não há a quem recorrer. Me sinto presa, sufocada.
Estou cansada… Corri tanto por essa cidade sem sequer parar nas esquinas prestando atenção ao trânsito, que acabei exausta. Perdi as contas de quantas vezes motoristas com bons reflexos evitaram que eu ficasse estirada no chão, atropelada, graças às suas buzinas ensurdecedoras. Nos meus ouvidos, zumbidos são frequentes: resquícios das tais buzinas, que tanto tentaram me chamar a atenção. Sem sucesso algum.
Aí tu vens e me perguntas o porquê de tanta distração, e andar toda destrambelhada pela rua. Te respondo. Me acostumei a andar por aí de mãos dadas contigo. Fui guiada por ti por tanto tempo que, achei que já sabia o caminho do meu destino de cor e salteado e decidi ir em frente. Engano meu. Demorei à perceber que era tu que me vendava os olhos e, eu que confiava meus passos à você.
*
Dias atrás passei pela tua casa. Não quis te avisar que ia, nem te chamar quando cheguei. Parei no teu portão, fitei o jardim. E decorei todos os detalhes.
Eu ainda não entendo, mas ainda penso em você. Me apeguei. E tento te esquecer todos os dias da minha vida. Me perder em outros olhos que não os seus, em outras vozes, todas as vezes que ouço um “Eu te amo” de uma boca que não é a sua. Mas apesar de todos os mal-estares, já não dói mais. Apesar dos hematomas, me sinto forte, como nunca me senti antes.
Porém, ainda me falta algo. E é algo que não sei o quê, que me deixa impotente de quase tudo. Me sinto forte, mas não livre.
Não ainda.
